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Como conduzir um estudo de Holding Time para garantir a estabilidade de produtos nas fases intermediárias do processo de fabricação

O estudo de “Holding Time” é tema que ainda gera muitas dúvidas entre os profissionais e empresas sobre a forma de conduzir, devido ao fato de não haver muita bibliografia sobre o assunto. No âmbito nacional ainda não temos um guia a respeito.

A RDC 17, artigo 302 cita:

“… Art. 302. O Controle de qualidade deve avaliar a qualidade e a estabilidade dos produtos terminados e, quando necessário, das matérias-primas, dos produtos intermediários e a granel”.

Nesse artigo você encontrará algumas orientações para condução do estudo.

1)    O estudo de “Holding Time” está mais relacionado a estabilidade do que a validação de processos, por esse motivo, temos que ter em mente que o objetivo do estudo é avaliar essa estabilidade intermediária.

2)    Previamente ao estudo de “Holding time” a empresa deve estabelecer o tempo máximo de espera entre as fases do processo, esse tempo pode ser estabelecido por histórico e pela necessidade frente ao planejamento de produção. O melhor cenário é que esse tempo seja o menor possível e deve constar no protocolo do estudo.

Em teoria é melhor que consigamos estabelecer um único tempo para todos os produtos, mas na prática nem sempre isso é possível. Como estamos falando de Estabilidade, não se aceita a realização do estudo por “pior caso”, esse deve ser conduzido para todos individualmente, mesmo porque as características físico-químicas e microbiológicas variam de produto para produto.

3)    Além disso, devem ser definidas as análises a serem realizadas em cada fase, bem como especificações aprovadas para cada caso. O ideal é que as análises sejam estabelecidas com base em uma Análise de Riscos. Uma referência importante é a norma específica de estudo de estabilidade, porém sua aplicação vai variar conforme o produto e sua análise de risco.

Entre os testes, destaco: Umidade, análise microbiológica, doseamento e produto de degradação (quando aplicável), porém outros podem ser necessários conforme a característica do produto. Essa definição também deve constar no protocolo do estudo.

4)    Deve-se estabelecer a quantidade de amostras em cada fase e a forma de armazenamento dessas amostras que deve ser a mesma para reproduzir a armazenagem do lote como um todo. Essa definição também deve constar no protocolo do estudo.

Com relação a amostragem e a estratégia do estudo, o melhor cenário é que a amostra recolhida na primeira fase (ex: manipulação) aguarde o tempo especificado em recipiente e ambiente exatamente igual ao que o lote todo ficaria (ex: Saco plástico, barrica, equipamento etc… em sala de depósito de intermediários, sala de processo, câmara climática, etc…) e que essa mesma amostra seja utilizada para conduzir a fase posterior para que seja avaliado o acúmulo do tempo de espera entre as fases.

5)    Para complemento do estudo a sugestão é que essa amostra estudada entre em estabilidade de monitoramento para garantir sua qualidade durante o ciclo de vida do produto até seu prazo de validade.

A última fase do estudo é a fase imediatamente antes a embalagem primária, porém para estabilidade de acompanhamento deve ser realizada amostragem após a embalagem primária e o estudo deve ser conduzido tal qual determinado nos procedimentos de rotina da empresa.

6)    Em razão da ausência de norma nacional para condução do estudo, algumas empresas praticam realizar o estudo considerando apenas um lote e outras fazem em triplicata, em minha opinião a triplicata é a melhor escolha para avaliar a reprodutibilidade dos resultados.

7)    Após a finalização do estudo, deve ser elaborado um relatório contendo os resultados e a conclusão.

8)    O estudo só precisará ser refeito para os produtos em caso de alterações que impactem na estabilidade dos mesmos.

O estudo de “Holding Time” é extremamente importante para padronizar os tempos de espera entre as fases do processo e garantir a estabilidade e qualidade do produto.

Além de ser item mandatório é uma ferramenta de grande valor para conhecermos as características e comportamentos dos produtos e também auxilia na programação de produção com qualidade assegurada.

 

Escrito por: 

Márcia Richely Silva Tamura: Farmacêutica, graduada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade São Francisco – USF, Bragança Paulista. Especialista em Gestão e Tecnologia Farmacêutica – Engenharia Farmacêutica pelo Instituto Racine. Possui 15 anos de experiência em Industria Farmacêutica, atuando na Garantia da Qualidade.

Docente do Curso Racine de Pós-graduação em Formação de Auditores para cadeia Industrial Farmacêutica, Assuntos regulatórios, entre outros.

Docente convidada UNIFAR. Parceira da MD consultoria.

Personal & Professional Coach, formada pela Sociedade Brasileira de Coaching.

Auditora do Prêmio de Qualidade Sindusfarma.

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