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O que são as Boas Práticas de Fabricação e como aplicá-las?

Dicas para implantar boas práticas de fabricação em indústrias farmacêuticas, cosméticas, alimentícias e produtos para a saúde.

O compromisso com a qualidade deve ser uma das principais preocupações dentro de um processo de produção industrial, sendo aplicado e aperfeiçoado em todas as etapas produtivas, a fim de garantir a plena satisfação dos consumidores e o cumprimento de todas as normas de segurança e legislações vigentes. Quando se trata de indústrias de segmentos como farmacêutica, cosmética, alimentos e produtos para a saúde, essa responsabilidade com a qualidade precisa ser redobrada, já que é inadmissível que produtos dessa natureza sofram qualquer tipo de contaminação que possa prejudicar a saúde e o bem-estar da sociedade.
Para garantir que todos os processos industriais sejam pautados pela qualidade e por boas práticas, existem regras que se aplicam a todas as indústrias, independentemente do seu segmento de mercado. As boas práticas de fabricação (BPF) são essenciais nas organizações que produzem alimentos, medicamentos, cosméticos, suprimentos médico-hospitalares, bebidas, produtos médicos e veterinários, entre outros. Nestas indústrias, todos os processos, equipamentos, matérias-primas e profissionais devem estar alinhados com a necessidade constante de assegurar uma produção eficiente e em conformidade com todas as normas de qualidade e segurança.

O que são as Boas Práticas de Fabricação e como aplicá-las?

As Boas Práticas de Fabricação podem ser definidas como todas as medidas e ações implementadas dentro de uma indústria com o objetivo de cumprir com as normas de qualidade exigidas para cada tipo de produto.
Pela legislação brasileira, essas boas práticas são fiscalizadas e atestadas por órgãos competentes. No caso dos medicamentos, cosméticos, alimentos e produtos da área da saúde, essa responsabilidade fica com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No caso de indústrias veterinárias a responsabilidade é do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária).
As Boas Práticas de Fabricação (BPF) são importantes porque reduzem significativamente o risco de qualquer tipo de contaminação e misturas inadequadas nos produtos. Além de serem fundamentais para garantir a qualidade das atividades e a boa reputação de uma indústria, essas boas práticas também demonstram respeito pelo consumidor.
Confira algumas dicas para implantar as Boas Práticas de Fabricação em indústrias farmacêuticas, cosméticas, alimentícias, veterinárias, produtos para saúde e afins:

● Tenha uma equipe dedicada à gestão da qualidade na fabricação;
● Invista nos métodos de produção e controle dos padrões de qualidade;
● Tenha como foco a manutenção da Organização, do Controle e da Higiene em todas as etapas do processo produtivo;
● Treine as equipes e conscientize os funcionários sobre a importância da higiene pessoal;
● Fique atento a todos os aspectos da produção;
● Instalações, matérias-primas e equipamentos devem ser conservados com a máxima higiene e limpeza;
● Tenha procedimentos detalhados para cada atividade que possa interferir direta ou indiretamente na qualidade do produto final;
● Registre e guarde provas documentais que assegurem que os procedimentos de qualidade e segurança foram adotados corretamente;
● Implante um sistema de qualidade que seja compatível com a área de atuação da indústria;
● Fiscalize o cumprimento de todos os procedimentos padrões de higiene, qualidade e segurança;
● Realize treinamentos para alinhar a equipe ao padrão de qualidade exigido pela indústria;
● Fique atento às resoluções específicas para cada setor, como a RDC 48/2013 para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes; a RDC 17/2010 para a fabricação de medicamentos; a RDC 16/2013 para a fabricação de produtos para a área da saúde; e a RDC 47/2013 para produtos saneantes;
● Adote boas práticas de documentação, registrando por escrito tudo o que é executado na produção;
● Garanta à equipe uniformes limpos e todos os equipamentos necessários, como luvas, toucas, máscaras, óculos de proteção e sapatos especiais (EPI´S).

Com essas práticas consistentes de qualidade e controle, as indústrias evitam contaminações em seus produtos, podem evitar recall de produtos e cumprem as regulamentações exigidas pelos órgãos fiscalizadores.

Referências:
o RDC 48/2013 para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;
o RDC 17/2010 para a fabricação de medicamentos;
o RDC 16/2013 para a fabricação de produtos para a área da saúde;
o RDC 47/2013 para produtos saneantes;

Daniela Cristina da Silva – Diretora de Qualidade M&D Consultoria:
Engenheira Química graduada pela Universidade Federal de São Carlos, especialista em Gestão da Qualidade e Produtividade pela Faculdade Oswaldo Cruz, MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com experiência profissional em unidades fabris, de indústrias farmacêuticas e farmoquímicas, multinacionais e nacionais de grande porte há 13 anos, como Sanofi-Aventis, Pfizer, Nicomed, Libbs, M&D Consultoria. Atual Diretora de Qualidade M&D Consultoria com experiência em start-up de plantas, comissionamentos, qualificação de equipamentos, validação de limpeza, processos e sistemas computadorizados . Auditora líder com experiência em auditorias internacionais. Coordenadora da área de Treinamentos da M&D Consultoria. Docente do IDVF – Instituto de Desenvolvimento do Varejo Farmacêutico e do Portal EADPLUS e da pós graduação do ICTQ e Racine.

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